
Uma das experiências que mais interesse tinha quando pensava na nova viagem era a visita ao Elephant Nature Park na montanhas de Chiang Mai. Existem parques de elefantes na Tailândia que tratam os animais feridos e os resgatam de interesses económicos menos nobres. Desse modo os visitantes desses parques podem participar nessa recuperação com trabalho voluntário ou visitas.
No dia da visita ao parque uns senhores muito simpáticos foram-nos buscar ao hotel e, a caminho, falavam-nos dos valores do parque e mostravam filmes das torturas desumanas que os elefantes sofriam. Inegavelmente era impossível não sentir pena dos elefantes acorrentados durante dias a uma árvore.
Como bom europeu, consciente dos direitos dos animais e do valor intrínseco da natureza, não pude deixar de me sentir impressionado. Mas também me senti orgulhoso comigo mesmo: eu apoiava um projeto que visava a proteção de animais inocentes explorados por uma economia sem consciência. Certamente eu era a parte boa da equação.
Primeiramente começámos por alimentar alguns elefantes, passeámos na montanha com os mesmos e acabámos no rio a dar banho aos elefantes. Nesse meio tempo entre passear e tomar banho no rio ainda almoçámos comida típida tailandesa.





Depois desta aventura fomos a um parque que ajudava elefantes feridos, explorados pelas inúmeras companhias que os usam para passeios turisticos ou mutilados por minas.
No parque era possível observar outros animais selvagens protegidos. O parque tinha os empregados normais tailandeses mas também tinha grupos de voluntários que vinham de todo o mundo. Sem dúvida, a maioria desses voluntários vinha de países ocidentais.

IMAGEM: Ponsawan foi um elefante salvo e que ficou com a perna mutilada por uma mina no Cambodja.
A vertente cultural dos Elefantes na Tailândia
O elefante é o animal oficial do estado Tailandês. Historicamente foi uma fonte de trabalho importante e ainda mais como arma. Tornou-se tão importante que começou a fazer parte da iconografia real. A relação dos tailandes e dos elefantes tem milhares de anos e está inscritas em pedras.
Até perto de 1990 os elefantes era muito usados pela indústria da madeira. Mas depois de novas leis banindo o seu uso, os criadores de elefantes voltaram-se para o turismo. O Elefante começou a carregar turistas e a vender fruta. E depois começou a criar-se toda a indústria turística.
A componente económica dos elefantes na Tailândia
O Elefante foi importante tanto para o trabalho como arma militar. E ainda hoje o Elefante tem muita importância na economia local. E a verdade da economia de turismo é que o segredo não está no bem estar do Elefante mas sim na satisfação dos desejos do turista.
Os elefantes são capturados, sofrem tortura no seu processo de educação e depois são usados para todo o tipo de fins: transporte de mercadorias, transporte de turistas, circos, espetáculos, etc… E são explorados até não resistirem mais. E quando forem velhos ou ficarem feridos são vendidos aos parques que oferecem um novo tipo de experiência.
A verdade da economia de turismo é que esses parques não protegem os elefantes. Ao comprar esses elefantes aos comerciantes que os maltratam eles estão a alimentar esse mesmo negócio porque um circo sai muito beneficiado se conseguir vender um Elefante ferido a esses parques. Os parques alimentam o circuito e precisam desses circuito pois se não fossem os mau tratos feitos aos elefantes, esses parques não existiam.
Entre a realidade e a satisfação do turista
Esses parques de proteção ambiental alimentam experiências para um determinado tipo de turismo. Antes de tudo eles são uma parte integrante de toda a economia de turismo.
Para o curioso de história e cultura podem encontrar-se espetáculos que usam elefantes; para os chineses e a sua necessidade de afirmação de superiordade social nada como andar em cima de um Elefante com a sua melhor roupa, no centro da cidade; e para o Ocidental que anseia ligar-se à mãe natureza nada como um passeio de Elefante no meio da natureza.
Ao contrário dos chineses, quase não se vê ocidentais a andar de Elefante na cidade. E especialmente com as melhores vestimentas. O turista ocidental não deseja afirmar-se social e culturalmente mas sim ligar-se à natureza. Prefere usar uns calções e t-shirt e ir para o meio da natureza onde pode andar nas costas do elefante ou ao seu lado
Eu preferi andar ao lado do Elefante. Não seria correto explorar o Elefante dessa forma… até perceber que eu fazia parte de um ciclo económico de turismo.
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