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Existe vida no Universo?

vida no Universo 


Afinal existe ou não existe vida no Universo?


Certamente, um assunto tão interessante como este acaba em discussões de teorias da conspiração onde os governos estão sob as ordens de extra-terrestres ou as mulheres são violadas por extra-terrestres com o objetivo de se fazerem experiências médicas, estudos anatómicos, visões de todo o tipo de alliens, etc…


No meio de crentes e céticos, inegavelmente, existe todo um conjunto de observações por parte de pessoal militar que podem ser consideradas mais credíveis mas que não provam nada.


No final fica a questão: Existe vida inteligente no Universo?


Vida no universo: um fenómeno universal


Acima de tudo ainda não conseguimos explicar como surgiu a vida no universo.


Existem muitas teorias desde a sopa primordial (modelo de Oparin-Haldane), teoria hidrotermal (teoria de ferro-enxofre), RNA, etc… todas elas explicam alguns factos, ainda assim nenhuma consegue apresentar um modelo consistente que gere consenso entre cientistas.


Entretanto todos tem uma certeza: a vida é um fenómeno físico-químico (1). E enquanto fenómeno físico-químico ele é possível de acontecer por todo o universo desde que se permita a ocorrência desses fenómenos físico-químicos.


Também temos a certeza de outra coisa relativamente à vida: ela aguenta tudo. Em diferentes formas mas ela é encontrada em todo o lado. A vida desenvolveu-se em reatores nucleares (3). Recentemente encontraram-se micróbios que conseguiam produzir eletricidade ao limpar lixo radioativo (2).


De facto estas bactérias costumam classificar-se como extremófilas porque conseguem viver em ambientes extremos.


Com efeito, em 1969 caiu um cometa (pedra grande do espaço que já existe desde os primórdios do nosso sistema solar) que continha glicina uma molécula essencial ao desenvolvimento da vida (4).


Para muitos cientistas a vida é de tal forma universal que uma das teorias para o Origem de vida na Terra é que ela deve ter vindo do espaço (5).


Esta teoria não explica como a vida surgiu (1) mas advém do facto de sabermos que a vida é extremamente resistente a todo o tipo de ambientes e ao ser comum encontrar moléculas importantes para a vida em meteoritos e cometas.


De acordo com todas estas teorias e dados o que devemos perguntar é: existe tempo e espaço suficiente para estes fenómenos físico-químicos e as leis de complexidade associadas poderem dar origem a vida inteligente.


Tempo e espaço


Com toda a certeza o Universo existe há perto de 14 biliões de anos enquanto o nosso sistema solar existe há 4 biliões de anos. Uma quantidade de tempo que nenhum de nós consegue imaginar mas vamos ver isto em perspetiva.


Começa como uma bola de energia derivada de uma flutuação quântica e depois passa por uma fase de inflação que o faz crescer muito… mesmo muito. Após este início, entra numa fase conhecida como “Dark Ages”. O universo expandiu e ninguém consegue ver nada. Passados 400 milhões de anos começam a surgir as primeiras estrelas.


Mas, em princípio, é impossível existir vida em planetas nestas primeiras estrelas porque ainda não foram criados os elementos pesados necessários ao desenvolvimento de vida no universo (tal como a conhecemos).


Temos de esperar mais uns milhões de anos para que as primeiras estrelas (especialmente as super-novas) explodam e comecem a originar todo o tipo de corpos estranhos (anâs brancas, buracos negros, etc…). 


De facto é a explosão destas estrelas que vai expulsar para o espaço elementos mais pesados da tabela periódica como oxigénio, ferro, urânio (um teoria defende que reatores nucleares naturais podem ter sido importantes para o desenvolvimento da vida), etc… O Universo de início só criou hidrogénio, hélio e pitadas de lítio.


Mas a vida está dependente de elementos como Carbono, Nitrogénio, Oxigénio, etc… Estas super-novas criaram os elementos mais pesados mas também os distribuiram pelo universo nas ondas de choque originadas pela sua explosão.

Em suma temos de dar tempo para estas estrelas se formarem e começarem a lançar e distribuir elementos pesados de forma a criarem novos sistemas solares com os elementos necessários para se criar a vida.


A importância do tempo


Uma estrela como o nosso Sol tem uma vida média de 10 biliões de anos. Mas supernovas com 10 vezes ou mais o seu tamanho tem tempos de vida por volta dos 20 milhões de anos.


Algumas supernovas podem ter até 200 vezes o tamanho do “nosso" Sol. E sabe-se hoje que a explosão de supernovas é um fenómeno comum por todo o universo.


As primeiras estrelas formaram-se 400 milhões de anos após o início do Universo. Vamos dar 3,3 biliões de anos para que se possam formar, viver, e destruir muitas supernovas (com vida média de 20 milhões de anos).


E de acordo com os dados atuais todos os anos se observam centenas de explosões por todo o universo (7). Com os dados atuais creio que é seguro assumir que 3,7 biliões de anos após a origem do Universo já deveriam existir galáxias e elementos pesados em quantidade e devidamente espalhados para se processarem os fenómenos físico-químicos necessários ao aparecimento de vida.


Se 4,5 biliões de anos é o necessário para surgir vida no nosso planeta serão 10 biliões de anos suficientes para todo o universo?


Se o tempo joga a favor da existência de vida inteligente fora do nosso planeta o que dizer do espaço?


Quão grande é o universo?


Os nossos antepassados poderam pensar em desafios como dar a volta ao mundo. O nosso universo é tão grande que ficamos felizes se conseguimos ir à Lua. Ninguêm, no seu perfeito juízo pensa em dar a volta ao Universo. É assim tão grande. Na realidade os cientistas não conseguem arranjar um número que explique o tamanho do universo (9). É assim tão grande.


Vida no universo: uma questão de números


Mas o espaço não significa nada se for vazio. Como é preenchido o espaço no Universo?


Nós vivemos num sistema solar com uma estrela central, perdidos na periferia de uma galáxia com outras estrelas.


Ao todo a “nossa” Galáxia (certamente não será só nossa) tem perto de 200 biliões de estrelas. O número de estrelas por galáxia varia muito. Por exemplo, a Galáxia de Andrómeda conta com perto de 1 trilião de estrelas.


E quantas galáxias existem?


Estudos recentes mostraram que existem muito mais galáxias do que se pensava antes. Só para ilustrar estima-se que existam mais de 2 triliões de galáxias pelo universo inteiro.


Se considerarmos que em média, cada galáxia tem 100 milhões de estrelas, podemos considerar que existem aproximadamente 100 milhões x 2 triliões em todo o Universo. 


Mas este número é demasiado conservador pois entra em cálculos indiretos uma vez que é impossível, por exemplo, detetar estrelas com o tamanho do Sol em Andrómeda (a galáxia mais perto de nós). Ou seja o número verdadeiro pode ser 10 vezes superior (8).


E os estudos mais recentes todos indicam que a formação de planetas à voltas das estrelas é um fenómeno comum.(10)


Juntando os dados


Em suma temos um período de 10 biliões de anos espalhados por uma quantidade incalculável de espaço com uma quantidade incalculável de estrelas e planetas onde sem dúvida ocorrem fenómenos físico-químicos que podem originar a vida. 


Esses fenómenos são universais e geram formas de vida simples que se aguentam em todo o tipo de ambientes tornando a vida um fenómeno físico-químico imortal não só pela sua capacidade de se desenvolver independentemente em diferentes locais como decerto em sobreviver aos piores ambientes.


Em outras palavras, qual a probabilidade de encontrarmos ambientes suficientemente estáveis para as leis de complexidade permitirem a formas de vida mais básicas se estruturem em organismos multicelulares auto-conscientes?


Certamente só crianças ignorantes e egocêntricas são capazes de olhar para estes dados e achar que são o pináculo da criação ou que possuem algum papel especial a desempenhar!


BIBLIOGRAFIA


(1) https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4187144/


(2) https://www.sciencedaily.com/releases/2011/09/110906144558.htm


(3) https://science.slashdot.org/story/04/05/27/163221/bacteria-live-happily-in-nuclear-waste


(4) https://www.reuters.com/article/us-space-comet-life/building-block-of-life-found-on-comet-idUSTRE57H02I20090818


(5) https://www.astrobio.net/meteoritescomets-and-asteroids/scientist-suggests-comet-and-meteorite-impacts-made-life-on-earth-possible/


(6) https://futurism.com/the-life-cycle-of-a-star/


(7) https://spaceplace.nasa.gov/review/dr-marc-space/supernovas.html


(8) https://www.livescience.com/56634-how-many-stars-are-in-the-universe.html


(9) https://www.space.com/24073-how-big-is-the-universe.html


(10) https://www.forbes.com/sites/quora/2017/11/15/the-number-of-earth-like-planets-in-the-universe-is-staggering-heres-the-math/?ref=hvper.com#737796fe4932

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