O ambiente tornou-se uma das principais prioridades dos eleitores europeus. O aquecimento global tem sido apontado como um dos maiores riscos para o ser humano no futuro próximo. A perda de biodiversidade igualmente. Para alguns o ambiente é um falso problema, para outros é um problema de incompatibilidade entre a natureza e o ser humano. É possível manter uma boa qualidade de vida e ao mesmo tempo proteger o ambiente? Como conciliar o combate ao aquecimento global com o sucesso económico de um país?
Neste artigo defendo que o desenvolvimento tecnológico e o crescimento económico não só são desejáveis como essenciais para a preservação do ambiente. Isto deveria ser óbvio pelas estatisticas. A preservação do ambiente é uma prioridade dos países ricos.
Uma pessoa pobre com fome não quer saber se um pássaro é o último da sua espécie. Ela está com fome!
A questão aqui é tentar perceber como proteger os ecosistemas ao mesmo tempo que melhoramos a qualidade de vida das populações. Tirar um ser humano da pobreza e ao mesmo tempo plantar uma árvore.
Dar Espaço à Natureza…
A natureza precisa do seu próprio espaço. O espaço é uma das condicionantes mais importantes para a natureza se desenvolver. A necessidade de destruir florestas para animais de pastoreio, agricultura, florestas secundárias, quintas de energia solar, etc… destroem ecossistemas completos. No entanto existem soluções para este tipo de problemas.
Agricultura vertical
Um conceito muito interessante, desenvolvido pela empresa Aerofarms consiste na agricultura vertical. Este tipo de agricultura usa menos 95% de água e tem uma produtividade 400x superior de acordo com o World Economic Forum. Acima de tudo não está dependente das condicionantes atmosféricas e usa muito menos espaço pois a empresa cresce para cima e não para os lados, ao contrário da agricultura atual ou da agricultura biológica.
A agricultura vertical seria excelente para dinamizar o comércio com produtos locais, frescos e cultivados sem pesticidas. E pode facilitar o uso de muitos campos de cultivo para criação de floresta importante para a produção de madeira ou proteção de biodiversidade local.
Energia nuclear
A energia nuclear é a forma de energia menos poluente (em termos de libertação de CO2), mais rentável e mais benéfica para a saúde do ser humano. O facto de Portugal ser um dos países com maiores reservas de Urânio faz com que seja um tipo de energia excelente a ser explorado.
Infelizmente a energia nuclear sofre de preconceitos e fobias sociais que torna difícil a sua aceitação.
A energia nuclear é uma forma de energia que protege mais os ecosistemas e a biodiversidade. A energia eólica é dos principais responsáveis pela diminuição populacional de grandes aves e a energia solar ocupa muito espaço e destrói imensos ecosistemas com forte impacto na biodiversidade. A energia nuclear é a energia mais amiga do ambiente que existe.
Florestas terapêuticas
Em Portugal assistimos, nos últimos anos, à destruição de uma flora rica por troca de 2 árvores de crescimento rápido (pinheiros e eucaliptos). O problema é que estas árvores ardem mais rápido do que crescem. E os Eucaliptos destroem os solos e a biodiversidade. O uso destas árvores para crescimento económico é importante mas o país não deveria estar dependente somente deste tipo de árvore. O crescimento económico não implica necessariamente a descaracterização da floresta portuguesa.
O uso de florestas terapêuticas, espaços onde se explora a biodiversidade para se obterem efeitos clinicos, também deveria ser bem explorado. Essas florestas podem ser exploradas à volta de centros urbanos (baldios abandonados) ou nas linhas turisticas de praias fluviais favorecendo o turismo do interior do país.
Estas florestas tem uma componente de lazer e terapêutica no combate do stresse, ansiedade e depressão. Seriam caracterizadas pela exploração da flora e fauna locais. Deviam escolher-se árvores locais que aumentem a biodiversidade e sejam menos reativas ao fogo.
Proteger a Natureza
Incêndios
As árvores tem diferentes formas de se proteger do fogo. Algumas árvores ardem rapidamente para se protegerem do calor, outras precisam do fogo para se reproduzirem, outras tem níveis de humidade elevados que as tornam mais resistentes. O problema atual da floresta portuguesa é a sua total descaracterização com base em 2 árvores com pouca capacidade de se protegerem dos incêndios. Apesar de criticada por alguns (3) tem vindo a ser estudada a possibilidade de se usarem árvores "bombeiras" como proteção para incêndios.
De Espanha, investigadores mostraram que o cipreste mediterrânico tem altos níveis de humidade que a tornam mais resistente ao fogo (1). Esta árvore está a ser aconselhada como barreira contra incêndios. Arouca tem um projeto de plantação de árvores autoctones para proteção contra fogos (2). Outros concelhos começam a usar estratégias semelhantes.
O eucalipto é a árvore mais importante para a produção da pasta de papel e a sua produção devia ser continuada. E não devemos descurar a sua importância para a economia nacional. O que não podemos é ter uma floresta só de Eucaliptos e Pinheiros.
Algumas estratégias deveriam ser pensadas num todo coerente, ou pelo menos deviam estar a ser feitos estudos de viabilidade:
1 - Uso de árvores que aumentem biodiversidade e protejam populações locais, com consequente limpeza das matas.
2 - Uso de ciprestes mediterrânicos a rodear florestas secundárias de eucaliptos e à volta das estradas que rodeiam essas florestas: diminuir a capacidade de propagação de fogo e facilitar o combate aos incêndios.
3 - Uso de sistemas de captação de água das chuvas ligadas a sistema de dispersão que pudessem ser usados em tempos quentes com maior risco de incêndios ou para controlar incêndios.
4 - Guardas florestais ou uso do exército para vigiar as florestas, usar presidiários para limpar as matas, etc…
5 - Uso de tecnologias inovadoras como drones: (A) proteção de florestas e em caso de dúvida uso de imagens para se detetarem incendiários, (B) drones com capacidade de projeção de projéteis ou água (C) - estes drones tem grande capacidade de aguentarem o calor e podem aproximar-se dos principais focos de calor ou para missões de resgate. Estes drones costumam ser mais pequenos.
Eu gosto de pensar que seremos capazes de construir drones maiores, semelhantes a um bosu ou a um OVNI, que conseguem transportar grandes quantidades de água e deixá-la cair depois como chuva à medida que circundam determinadas regiões. Estes drones poderiam ser usados para proteger áreas à volta de principal fogo, limitando o seu alcance, ou áreas já ardidas evitando reacedimentos.
6 - Profissionalização de bombeiros: usar o conhecimento especializado dos sapadores das celuloses (3).
7 - Um sistema judicial que aumente as penas e permita à policia não só apanhar os incendiários como os criminosos que lhes pagaram.
8 - Lagos artificiais, usando pedreiras antigas, por exemplo, para criar fontes de água que possam ajudar a combater os incêndios. Estes lagos artificiais também tem valor em termos de ecoturismo.
Salvar o oceano
Salvar o Oceano não precisa ser um projeto de sonhadores. O Oceano é uma fonte de crescimento económico, na maioria das vezes desprezada. O objetivo não é salvar os oceanos à conta do bem estar do ser humano, mas garantir um oceano saudável que permita uma exploração económica sustentável.
A aquacultura e o uso de áreas de preservação de espécies marinhas para desenvolvimento de ecoturismo são 2 exemplos óbvios. Quintas de algas, produção energética, exploração minérios, habitação seriam outros exemplos.
Plásticos
Há quem preconize que a grande marca do antropoceno será o plástico. Diversos estudos mostram que os microplásticos se encontram em todos os ecosistemas, mesmo aqueles que mal foram tocados pelo homem e se encontrma longe dos principais centros poluidores. O oceano pacifico está transformado numa lixeira gigante onde as correntes juntam o plástico todo.
Isto tem impacto na saúde dos ecosistemas e da biodiversidade. No entanto existem estratégias eficazes que se podem usar:
1 - Usar sistemas de reembolso das garrafas de plástico para as pessoas as devolverem (países nórdicos).
2 - Usar redes ou outras barreiras em esgotos de forma a separar o tipo de material que deverá ir para o oceano.
3 - Novas tecnologias: uso de robôs ou sistemas fixos de captação de detritos nos rios, impedindo que cheguem ao mar.
4 - Facilitar a criação de empresas baseada na economia circular que usem o plástico para novos fins: materiais de construção, reutilização, etc… (vários países africanos)
5 - disponibilizar fontes de água grátis, permitindo às pessoas usarem as suas próprias garrafas (Londres).
Crescimento Económico
Atualmente existe uma economia de lixo que todos fingem não existir. Os países ricos pegam em toneladas de lixo indesejável e enviam-nos para países pobres onde o lixo se vai amontoar criando lixeiras que destroem ecosistemas e propagam doenças. A economia do lixo é vantajosa para os países ricos porque não tem de lidar com o lixo que fazem, mas torna-se muito prejudicial para as populações de países pobres e para o meio ambiente.
Na medida que os países vão enriquecendo tornam-se também menos predispostos a aceitar este tipo de lixo. Recentemente a Indonésia recusou entrada de 57 contentores de lixo proveniente de países ricos. A China começa a separar o lixo que pretende comprar. Os países ricos precisam de olhar para o lixo como um problema a tratar mas também como uma oportunidade. Precisamos mudar de uma economia de lixo para uma economia circular em que o lixo é transformado num bem material valioso.
Economia circular
A economia de lixo dá uma ideia errada do preço dos consumiveis e prejudica gravemente o ambiente e a saúde das populações mais desfavorecidas. Por exemplo a energia nuclear não consegue fugir à economia de lixo. Os países que produzem energia nuclear são obrigados a tratar os resíduos o que encarece o preço da energia. Na energia solar o mesmo não acontece. Os painéis estragados ou mais velhos são substituídos por novos e enviados para lixeiras em países de terceiro mundo.
A lógica consiste em usar recursos e imaginação para se conseguir criar uma economia circular. Os preços de alguns consumíveis podem aumentar, mas o ambiente melhora e a própria economia beneficia de mais postos de trabalho e novas oportunidades de negócio.
Na Costa do Marfim, o plástico está a ser transformado em tijolos mais baratos e resistentes ao fogo para construir escolas para crianças. (6) Na Etiópia, uma fábrica consegue transformar lixo em eletricidade, água e tijolos e, ao mesmo tempo dar trabalho a centenas de pessoas.
Na China, estão a ser usadas fábricas de baratas. O lixo doméstico é enviado para estas fábricas para servir de alimento às baratas. Isto limpa as cidades de toneladas de lixo ao mesmo tempo que usa as baratas como fonte de proteína para alimentar humanos e animais. As baratas também são vendidas para produção de medicamentos e produtos cosméticos.
Exemplos
Com um sistema de separação de lixos mais exigente é possível diferenciar o lixo doméstico de alimentação (restos de comida, etc…) que pode ser enviado para sistemas de compostagem que depois alimentam quintas de agricultura vertical ou então para fábricas de baratas que depois produzem proteína para alimentação humana ou animal ou produtos de cosmética. São toneladas de lixo doméstico criados todos os anos que podem ser usados de forma muito positiva para a preservação do ambiente, para ajudar a produzir alimentos mais saudáveis, novos negócios e diversificar ofertas de emprego.
Economia do carbono
A economia de carbono devia ser pensada na forma de maximizar o carbono existente na atmosfera. Temos de pensar em formas de diminuir as emissões de carbono, captar o carbono excessivo na atmosfera e usá-lo em benefício próprio.
O primeiro passo da economia de carbono deveria ser a diminuição da emissão de fontes de carbono e isso consegue-se através da energia nuclear. A energia nuclear não só tem emissões nulas de carbono como ajuda a dar espaço suficiente à natureza para a criação de mais floresta necessária para a captação de mais carbono.
O segundo passo consistiria na captação de mais carbono. O aumento de florestas e de quintas de algas (excelente para captar carbono e servir de alimentos ao mesmo tempo) são 2 estratégias simples e eficazes.
Investir em investigação costuma compensar. Com tanto carbono disponível é uma questão de tempo até se encontrarem tecnologias de sequestração de carbono economicamente viáveis para transformar esse carbono em energia elétrica (5) por exemplo.
Inovação tecnológica
O crescimento económico está dependente da inovação tecnológica e cientifica. A inovação tecnológica cria tecnologias disruptivas que transformam o mercado e ajudam um país a crescer economicamente.
Drones com IA para combater fogos, bactérias que produzem petróleo, reatores de fusão nuclear, robótica, etc… Qualquer problema que exista atualmente tem soluções que passam pela inovação tecnológica. A inovação tecnológica permite resolver um problema de várias formas diferentes permitindo diversidade de respostas que podem ser adaptadas a cada situação.
A forma como se pode usar a água é um exemplo de como a inovação tecnológica pode ajudar a resolver os problemas mundiais e ao mesmo tempo promover crescimento económico.
Sistemas de rega conta-gotas para melhorar a eficiência do consumo de água que também é usada na agricultura vertical, uso de sistemas de Inteligência Artificial para monitorar as necessidades das plantas melhorando a eficiência do cultivo são formas que possibilitam hoje termos uma agricultura mais produtiva e com dispêndios de água mais baixos.
Técnicas de dessalinização começam a ser mais usadas e desenvolvidas. Investir neste tipo de investigação para tornar a técnicas mais baratas e acessível teria implicações significativas no desenvolvimento económico. Água dessalinizada poderia ser usada para encher pedreiras ou minas abadonadas de forma a criar lagos artificiais. Estes lagos teriam uma componente de lazer permitindo explorar o ecoturismo mas também seriam preventivos pois a proximidade da água a florestas é um dos fatores que mais ajudam a controlar os incêndios.
Sistemas de captação e dispersão de água das chuvas permitira poupar água para o caso de pequenas secas ou necessidade de controlar incêndios. Essa água poderia ser facilmente canalizada para a periferia dos reservatórios de forma a criar linhas de rega que permitissem controlar a evolução de incêndios.
Também podem ser criados drones de transporte de água que permitam levar água a regiões mais pobres de forma eficaz, combater incêndios ou ajudar áreas em períodos de seca.
Está a ser usada tecnologia para extrair água do ar e torná-la potável de forma a satisfazer as necessidades de populações mais pobres. Esta tecnologia é importante para ajudar ao crescimento económico de populações mais desfavorecidas.
Na realidade não existe problema que não tenha solução.
Consciencializar as Pessoas
Somos todos ambientalistas. Mas quantos de nós estão realmente interessados em fazer sacríficos para ajudar o ambiente? A energia nuclear e os insectos são game changers no combate a muitos problemas ambientais atuais. Mas são também aqueles que obtêm maior resistência.
O problema do ambiente são todos os outros. Os governos são corruptos, os madeireiros destroem as florestas, os capitalistas exploram a natureza. Vivemos na era da ignorância fashion onde ambientalistas portugueses protestam contra minas de Lítio ao mesmo tempo que tiram selfies com smartphones que precisam desse lítio. Quantos de nós estão prontos para admitir que todos somos o problema e que todos fazemos parte da solução?
Muitos dos problemas que se colocam podem ser resolvidos com a ajuda de toda a população. Quem tem mais, ajuda mais. Estratégias não faltam. Reciclar e fazer compostagem em casa para a horta privada, tornar obrigatório plantar uma árvore para passar de ano ou entrar na faculdade (Filipinas), alimentar pássaros para aumentar biodiversidade (Reino Unido), juntar a população para limpeza de locais muito poluídos (Índia), limpeza de praias com disponibilização de cinzeiros para a praia (algumas praias em Portugal), etc… Soluções não faltam.
BIBLIOGRAFIA
1 - https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150901_ciprestes_misterio_incendio_rm
3 - https://paragrafando.blogs.sapo.pt/o-mito-das-arvores-bombeiras-e-da-1116
5 - https://futurism.com/the-byte/carbon-capture-generates-electricity







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