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Bloco de Esquerda (BE) vs Chega

O populismo como ausência de projeto político

Como é possível que um País, que há meia dúzia de anos votou em força na extrema-esquerda, agora tenha como 3ª força política um partido de extrema direita?

Quando o Passos Coelho era primeiro ministro os eleitores, especialmente os indecisos, foram votar em massa em diferentes grupos de esquerda.

Não porque queriam um governo de esquerda mas porque queriam castigar o governo de direita.

Conseguiu-se um governo de esquerda baseado numa geringonça onde o PS se uniu à esquerda radical.

Mas a instabilidade dessas alianças, devido à falta de seriedade dos grupos extremistas fez com que o António Costa viesse a beber do seu próprio veneno.

António Costa corre o risco de se ver a desempenhar o papel de Passos Coelhos: vencer as eleições num parlamento dominado pela direita portuguesa onde os grupos extremistas tem mais poder.

Os 2 grupos extremistas que tem conseguidos mais votos nos últimos anos tem sido o Bloco de Esquerda (BE) e o Chega.

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As diferenças que não existem

O problema destes grupos políticos é que todos eles se apresentam como revolucionários e diferenciados mas nenhum é!

Todos eles se apresentam como disruptivos com os problemas sociais atuais mas nenhum apresenta soluções válidas para esses problemas.

Por exemplo, o Chega diz não à abertura indiscriminada de fronteiras e, parece defender imigração controlada mas efetivamente não tem nenhum projeto para lidar com os desafios e a necessidade de imigrantes!

O Bloco de Esquerda nem sequer finge ter soluções ou admite a existência de problemas. Basta abrir as fronteiras de forma indiscriminada!

Combate à corrupção

O BE ataca o Chega porque este faz pouco contra a corrupção associada aos offshore e vistos gold.

O Chega ataca o BE devido à corrupção clientelista típica dos grupos de esquerda, especialmente na forma de benefícios financeiros para a classe e para os amigos.

Para estes grupos, o combate à corrupção não é para acabar com a corrupção, mas sim para acabar com a concorrência política.

O BE vai vetar todas as iniciativas do Chega contra a corrupção clientelista e o Chega vai vetar todas as iniciativas esquerdistas contra os esquemas de corrupção da classe mais abonada.

Mas nenhum deles quer uma sociedade menos corrupta.

O André Ventura quer os partidos a pagar IMI porque a maioria dos partidos maiores seriam prejudicados e o seu partido não tem nada a perder.

Mas o que diz o André Ventura de colocar a Opus Dei e toda a Igreja Católica a pagar IMI? 

O Chega tem o apoio de muitos grupos cristãos fundamentalistas como Opus Dei, IURD e Manás. Seria interessante ver o discurso explosivo do André Ventura contras os privilégios destes grupos!

O exemplo mais claro vem dos próprios dirigentes e apoiantes do Chega onde alguns estão inclusivamente mencionados nos Panama Papers.

A posição do André Ventura parece muito clara: se és negro, pobre e precisas de apoio do estado és o problema da sociedade. Se és branco, rico e corrupto podes fazer parte da direção do partido!

Para o BE a preposição é um pouco diferente. Todos os problemas sociais e económicos estão dependentes de pessoas que são caucasianas, homens e ricos.

O céu franciscano de Catarina Martins é feito da santissima trindade: mulheres, pele mais escura e homossexuais!

O racismo contra imigrantes

Tanto o BE como o Chega são racistas e discriminam grupos sociais. Simplesmente, permitem que seja a sua ideologia politica a definir quem vai ser discriminado.

O Chega discrimina todos os imigrantes que venham de países pobres.

O BE discrimina contra todos os ricos que queiram vir comprar casa a Lisboa.

A forma como o Chega e o BE caricaturam estes grupos, mostra o seu racismo inerente e a sua incapacidade em criar imagens sociais que permitam criar políticas relevantes.

Para o BE todos os ricos que vem para Portugal são corruptos e praticam um tipo de economia que é exploratória.

Para o Chega todos os imigrantes “pobres” tem telemóvel e na realidade só querem viver à conta dos brancos trabalhadores!

Os cliches do BE e do Chega não podiam ser mais evidentes!

As diferenças que existem

O Chega consegue fingir que tem um programa. O Bloco de Esquerda não!

O Chega tem um líder que chama as massas (se ele desaparecer, o Chega desaparece também). 

O brilho inicial do BE está a desaparecer. O tempo dos comunas ricos e pós-modernos só parece chamar a atenção quando a direita está no poder.

E estas 2 diferenças explicam a razão de crescimento do Chega e o afundamento constante do BE.

O Chega apresenta um líder carismático que supostamente sabe resolver os problemas do pais. O BE tenta sobreviver com o medo do papão!

O populismo como 3ª força politica portuguesa

Os partidos populistas vivem da capacidade de mobilização social dos seus lideres.

O Chega está a tornar-se a 3ª força politica porque o seu líder, André Ventura, é mais bem sucedido que qualquer membro do Bloco de Esquerda.

Ver o Bloco de Esquerda usar citações do Papa Francisco contra as posições de André Ventura é um ato de desespero que faz rir qualquer pessoa!

As posições franciscanas da Catarina Martins pretendem somente esconder a falta de um projeto politico.

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O André Ventura, fala melhor, argumenta melhor e conseguiu envergonhar qualquer membro bloquista nos diversos confrontos televisivos.

O radicalismo como um mau parceiro politico

O PSD tem muito a aprender com o oportunismo politico do PS e a instabilidade politica e social dos grupos extremistas.

Estes grupos não são bons parceiros, especialmente, para governação. Como o António Costa está a aprender da pior forma possível.

Mas o comportamento irresponsável do eleitorado português também vai definir o poder futuro destes grupos.

Se o PSD precisar do Chega para governar, daqui a 4 anos vamos observar ao renascimento do BE em relação ao Chega.

É que nessa altura os eleitores vão querer castigar os grupos de direita que se encontram no poder. Dejá vu…

O que seria interessante era ver os portugueses a beneficiarem grupos políticos mais responsáveis como a Iniciativa Liberal e dar hipóteses a políticas liberais mais focadas em dados objetivos que ideologias políticas.

Mais leituras aconselhadas

https://www.diariodigitalcastelobranco.pt/noticia/55142/as-faces-ocultas-do-chega-vistas-por-garcia-pereira

https://comunidadeculturaearte.com/um-partido-anti-sistema-com-22-portugueses-de-bem-que-sao-alguns-dos-piores-que-temos-no-sistema/

https://poligrafo.sapo.pt/politica/artigos/catarina-martins-vs-andre-ventura-quem-faltou-mais-a-verdade-no-frente-a-frente

Comentários

  1. Eia! Tanta imaginação fértil. Tanto filme de cowboy-ada sem fim feliz. É só bla-bla-bla. Pronto, está convidado a escrever telenovelas para a SIC. OKAY?

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  2. Boa tarde, Nuno Lemos

    Uma pergunta apenas sobre o seu longo texto.
    "dar hipóteses a políticas liberais mais focadas em dados objetivos que ideologias políticas", Isto não será uma afirmação ideológica.
    Há muitos anos atrás quem não se queria "comprometer" dizia. - a minha política é o trabalho.
    Pode ser uma interpretação errada minha ligar a sua afirmação com esta última. Contudo não fiz qualquer esforço para que ela me viesse à memória.
    Zé Onofre

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  3. Boa tarde, Zé Onofre

    Acho que de forma geral as políticas liberais são sempre ideológicas.
    Neste caso em particular estava a falar da capacidade de políticas liberais se poderem alterar em face aos dados em oposição ao que acontece com grupos mais extremistas que não permitem que os dados se sobreponham à ideologia.

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  4. Boa noite, Nuno Lemos
    Penso que todos os partidos para serem verdadeiros têm que ser extremistas ou radicais. Partidos que procuram o "Consenso" levam ao Pântano como disse uma vez Guterres, e no qual continuamos.
    No processo para se chegar a um Governo temos duas fases diferentes.
    1ª - Fase - O processo eleitoral.
    Aqui todos os partidos partem com o conhecimento dos "dados" que estão em causa. Estes dados levantam dois problemas - A - Porque se chegou a esta situação?- B - Como a resolver?
    Ora para resolver estes problemas há diversas variáveis que necessariamente levarão a soluções diferentes, naturalmente.
    Com base nas "suas variáveis = ideologias" os partidos devem apresentar as suas propostas de resolução dos problemas.
    E, quanto a mim, devem ser radicais na sua posição. Não é pondo rótulos de extremistas ou moderados na bandeira de cada partido que está a solução.
    Que cada um apresente e defenda, com base no seu projecto de país (fundamentado numa ideologia o que pensa. Não esteja a fazer cálculos se o que propõe vai convencer muitos ou poucos eleitores, para eleger o maior número possível de deputados. O partido que assim o fizer está a enganar os cidadãos e a manter o pântano.
    Sou Comunista, a minha proposta é esta.
    Sou Socialista ou social-democrata é esta a minha proposta.
    Sou Conservador aqui têm a minha solução.
    Sou Liberal o caminho que proponho é este.
    Que defendam radicalmente e com argumentos as suas posições. Não deixem os eleitores entre escolher um putativo primeiro-ministro/governo que esses cargos não vão a votos.
    Penso que assim se acabará com o Pântano e com a Abstenção..
    Partindo do princípio que todos os partidos tentaram convencer os eleitores do rumo que vão dar ao país e não andaram a esconderem, o que realmente pretendem, para caçar votos pelos votos para chegarem ao poder pelo poder chegamos conscientemente à
    2ª fase - A formação do Governo.
    Se o Partido X teve um número maioritário de eleitos que lhe permitam formar governo, está o assunto resolvido.
    Se o Partido Y tem o maior número de deputados, mas que não são suficientes para garantirem um governo é aqui que entrará em negociações para formar governo. As soluções são várias como bem sabemos - Governo minoritário, negociando caso a caso; Governo minoritário com apoio Parlamentar nas questões que permitam o Governo funcionar; Governo de Coligação em que o Governo será formado por ministérios divididos pelos partidos coligados.
    Concluindo e dizendo o que desejo - Que todos os partidos sejam radicais nas suas propostas para a eleição de deputados. Que nenhum partido seja catalogado de extremista por defender radicalmente o que quer. Que os deputados eleitos viabilizem um Governo, seja ele de que natureza for, sem venderem a sua "alma".Será pedir muito? Talvez. Mas se assim fosse teríamos uma assembleia credível, com deputados de partidos credíveis que não venderam os seus princípios por votos.
    Desculpe se fui demasiado longo.
    Zé Onofre

    ResponderEliminar

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