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Porque é que a crise dos mísseis de cuba é diferente da crise ucraniana

Um dos argumentos muito usados, a favor da Rússia, é a crise dos mísseis de Cuba. Tal como os EUA, é normal que a Rússia não queira exércitos adversários, nas suas fronteiras.

Se os EUA tiveram o direito de quase começar uma guerra com a URSS, na crise dos mísseis de cuba, porque é que a Rússia não tem direito de atacar a Ucrânia pela possível adesão à NATO?

Este argumento tem sido defendido por intelectuais americanos como Mearshmeyer e, na Europa, por um vasto conjunto de movimentos de esquerda!

Há 4 razões principais pelas quais, acho, que não se pode comparar as 2 situações.

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Situação geopolitica diferente

Durante a crise dos mísseis de Cuba existia uma guerra fria e uma divisão ideológica que não existe hoje. 

Os 2 pólos ideológicos eram marcados pela intolerância e competitividade. Havia mais perigo e guerra e menos vontade de dialogar. Uma das consequências da crise dos mísseis de Cuba foi criar-se um telefone vermelho que permitiria a Washington falar diretamente com Moscovo.

Nada disto se passa hoje em dia. Não existe falta de diálogo. Pelo contrário. Todos os países europeus procuraram ativamente o diálogo como forma de evitar qualquer conflito.

A divisão ideológicos sentido por Moscovo em relação ao Ocidente não é partilhada pelas elites e populações ocidentais em relação à Rússia.

Vários são os países europeus que procuraram melhores relações comerciais com a Rússia.

Em 2015 a França cancelou 2 encomendas de navios de guerra para a Rússia devido à sua ação na Ucrânia e em 2022 a Alemanha cancelou o projeto Nord Stream II. Estes cancelamentos foram devidos às ações da Rússia e não devido à falta de vontade dos países europeus em melhorarem as relações comerciais e diplomáticas com a Rússia.

Posição ofensiva vs defensiva

Na crise dos mísseis de Cuba, a URSS, colocou mísseis nucleares ofensivos que visavam ataques aos EUA, mas a possível adesão da Ucrânia a NATO é uma parceria defensiva.

Em Cuba o objetivo era atacar. Na Ucrânia o objetivo dos ucranianos é terem uma capacidade defensiva uma vez que prescindiram de ser uma potência nuclear.

Os mísseis nucleares colocados em Cuba não tinham como missão defender Cuba. Pelo contrário, aumentaram os riscos para a população cubana. No entanto qualquer disposição de tropas da Nato, na Europa é puramente defensiva.

Expansão geográfica vs expansão militar

Nos mísseis de Cuba não existia uma expansão geográfica do comunismo mas um aumento da pressão militar contra os EUA.

No aumento da nato existe uma expansão geográfica da instituição mas uma diminuição da pressão militar pois a NATO tem diminuído muito o número de militares.

Ou seja, na crise dos mísseis de cuba existia uma escalada militar mas na expansão da NATO vemos uma escalada geográfica acompanhada por diminuição da pressão militar.

A prova mais cabal que a Rússia não se sente ameaçada pela NATO é que tem estado a retirar tropas das suas fronteiras diretas com a NATO para as colocar na Ucrânia que não faz parte da NATO!

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Entre decisões ditatoriais e escolhas democráticas

A crise dos mísseis de cuba foi desencabada porque um estado ditatorial aceitou armas ofensivas de outros estado ditatorial para colocar pressão militar sobre um adversário.

Na ucrânia temos uma agressão contra um pais porque o povo desse pais preferiu mudar de governo e melhorar as relações comerciais com um bloco comercial concorrente.

Para estas situações serem semelhantes os EUA deveriam ter invadido parte de um Cuba democrática porque esta escolheu criar parcerias comerciais com a URSS!

Pensamentos finais

O mais ridículo nesta situação é que a crise dos mísseis de cuba foi provocada porque a URSS efetivamente colocou mísseis nucleares em Cuba.

Na atual crise ucraniana, o pais está a ser atacado por uma possível parceria que ainda não foi feita e pela possibilidade de vir a ter armas defensivas que ainda não tem.

Nesse sentido, talvez a melhor analogia, com a crise ucraniana, seria a guerra preventiva de Bush. Para alguns europeus isto seria o cúmulo do ridículo.

Depois de anos a demonizarem a guerra do Iraque e a filosofia do imperialista Bush acabavam a defender exatamente a mesma filosofia por um ditador que nem partilha do sua ideologia de esquerda!

Tenho um certo gosto em ver como a atual extrema-esquerda europeia está alinhada com alguns argumentos do realismo defendido em muitas cátedras imperialistas!

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