É comum a acusarmos Israel de genocídio, de ocupação, de discriminação. Nos meios de comunicação social ocidentais, Israel é representado quase como o diabo na terra.
Será Israel um pais agressivo, sem respeito pelos países vizinhos e com um desejo de subjugar povos indefesos?
É Israel um agressor, um opressor colonialista, como alguns patetas da extrema-esquerda querem fazer crer?
Vamos levantar 2 questões para tentar responder à questão que origina estas linhas:
1 - Quantas guerras foram iniciadas por Israel?
2 - Quantas vezes Israel se opôs a propostas de paz para criação de 2 estados?
As guerras de Israel
Israel desde a sua origem moderna, 1947, esteve envolvido em várias guerras. Na realidade a sua independência vem em consequência de conseguir vencer uma guerra contra os seus vizinhos. 7 conflitos destacam-se em pouco menso de um século e existência:
Guerra da independência/Nakba (1947-1948)
Crise do Suez/segunda guerra Árabe-Israelite (1956)
Guerra dos 6 dias (1967)
Guerra do Yom Kippur (1973)
Primeira guerra do Libano (1982)
Segunda Guerra do Líbano (2006)
Conflitos com Gaza (2008-2023)
Para tão pouco tempo de existência, um pais envolto em tantos conflitos só pode ser mesmo mau. Destes conflitos quantos é que foram começados por Israel?
A resposta é clara: na esmagadora maioria, nenhum. Israel foi atacado e respondeu, ou enfrentou ameaças existenciais que o obrigaram a agir.
Há, contudo, duas exceções debatidas:
- 1956 (Crise de Suez): Israel atacou o Egito em coordenação com França e Reino Unido. Mas fê-lo depois de o Egito ter bloqueado o Estreito de Tiran — um bloqueio marítimo considerado em direito internacional um ato de guerra.
- 1982 (Primeira guerra do Líbano): Israel invadiu o Líbano após repetidos ataques da OLP a partir do sul do país e uma tentativa de assassinato contra o embaixador israelita em Londres. A motivação defensiva existia, mas a escala da operação (chegando a Beirute) foi muito além da autodefesa imediata.
Em todos os outros casos — 1948, 1967, 1973, 2006, Gaza — Israel reagiu a ataques diretos, invasões ou ameaças existenciais vindas de vizinhos hostis.
Mesmo quando acusamos Israel de ocupar terra que pertencia aos árabes esquecemos de mencionar que isso vem em consequência de guerras impostas e perdidas por esses mesmos árabes.
Israel nunca atacou nenhum vizinho sem ser em resposta a agressões ou casos Belli criados pelos mesmos vizinhos.
Os acordos de Paz
E em relação aos acordos de paz? Israel sempre foi a favor ou contra os mesmos? Sempre procurou a paz ou a manutenção da guerra?
Ao longo das décadas existiram várias tentativas de negociações e propostas. A leitura global é clara: Israel, na maioria dos casos, respondeu positivamente (ainda que com ressalvas), enquanto a liderança palestiniana foi mais hesitante ou rejeitou oportunidades decisivas.
Um dos momentos mais marcantes foram os Acordos de Oslo (1993/1995), que representaram o primeiro reconhecimento mútuo entre Israel e a OLP. Ambos assinaram, mas a realidade mostrou-se bem diferente. A expansão de colonatos por parte de Israel, por um lado, e os atentados terroristas e a eclosão da Segunda Intifada por parte palestiniana, por outro, minaram por completo a confiança. Na prática, Oslo nunca se materializou como pretendido — não apenas porque alguns grupos palestinianos (Hamas, Jihad Islâmica) o rejeitaram, mas também porque a própria OLP não conseguiu ou não quis impedir que a violência corroesse o processo.
Outra proposta relevante foi a Iniciativa Árabe de Paz de 2002, que pela primeira vez oferecia a Israel reconhecimento e normalização com todos os países árabes em troca da retirada completa para as fronteiras de 1967. Do ponto de vista israelita, isso era extremamente problemático:
- As fronteiras de 1967 já se tinham mostrado militarmente vulneráveis.
- A questão dos refugiados palestinianos não ficava resolvida de forma clara e ameaçava a identidade demográfica de Israel.
- Não havia garantias credíveis de que, após a retirada, os mesmos Estados árabes não poderiam voltar atrás na sua palavra dentro de 10 ou 20 anos.
Assim, Israel rejeitou formalmente essa iniciativa, não por rejeitar a ideia de paz em si, mas por a considerar um risco existencial mascarado de solução diplomática.
De resto, a história das negociações tem sido marcada pelo mesmo padrão: Israel disposto a aceitar com condições; a liderança palestiniana a rejeitar ou a permitir que a violência inviabilize o processo.
Sobre um dos acordos mais destacados, em Camp David, Clinton mais tarde escreveria:
“I still didn’t believe Arafat would make such a colossal mistake.” ABC+1
“... Arafat was not able to ‘make the final jump from revolutionary to statesman … he just couldn’t bring himself to say yes’.”(1)
Para o Times of Israel, Clinton viria mais tarde recordar:
“You walk away from these once in a lifetime peace opportunities, and you can’t complain twenty-five years later when the doors weren’t all still open, and all the possibilities weren’t still there.”(2)
“All [young people in America] know that a lot more Palestinians have been killed than Israelis. And I tell them what Arafat walked away from, and they, like, can’t believe it…”(3)
Outras perspetivas
Quando olhamos para a questão das guerras e dos acordos de paz notamos que Israel busca a paz. Não há uma instância em que Israel tenha buscado a guerra direta ou dificultado processos de paz (de forma direta e intencional, pelo menos!).
Do lado Árabe o mesmo não pode ser dito.
Se olharmos para além destas 2 questões podemos ver que em vários instantes históricos Israel teve iniciativa de procura de paz com os seus vizinhos.
Em 1979, Camp David, aceitou devolver todo o Sinai ao Egipto em troca de um tratado formal por paz.
Em 1994 fez o acordo de Wadi Araba com a Jordânia, em 1993 os acordos de Oslo com a OLP, a Iniciativa Siria dos anos 90 ou os acordos de Abraão em 2020.
Certamente que podemos acusar Israel de ações provocativas. Mas a maioria delas (Libano, Irão, Síria) foram em resposta às ações desses mesmos governos ou da proteção que deram a grupos terroristas (Hezbollah).
Outra perspetiva estaria na forma como os diferentes lideres olham para a guerra. Muitas das afirmações dos lideres israelitas são exemplos. Golda Meir destaca-se:
“We do not rejoice in victories. We rejoice when a new kind of cotton is grown and when strawberries bloom in Israel.”(4)
“We can forgive the Arabs for killing our children. We cannot forgive them for forcing us to kill their children. We will only have peace with the Arabs when they love their children more than they hate us.”(5)
Benjamin Nethanyahu, menos polido que Golda Meir afirma:
“Israel seeks peace. Israel yearns for peace. Israel has made peace and will make peace again. Yet we face savage enemies who seek our annihilation, and we must defend ourselves against them.”(6)
No final, Benjamin Netanyahu tem razão ao afirmar
“If the Arabs put down their weapons today, there would be no more violence. If the Jews put down their weapons today, there would be no more Israel.”(7)
Eu podia continuar a citar Yitzhak Rabin, ou outros lideres israelitas mas a conclusão seria sempre a mesma. O discurso da paz é importante na política israelita. Paz com garantias de segurança.
Conseguimos encontrar algo semelhante do lado palestiniano? Infelizmente não.
Os discursos das OLP/AT sempre foram muito oscilantes e na altura de mostrar ações falharam. O Hamas infelizemnte não admite a existência de uma paz final.
Conclusão
Israel não é nenhum santo. Pode acusar-se de responder de forma desproporcional, pode acusar-se de uma postura demasiado assertiva ou em alguns casos até de claras violações de direitos humanos como aconteceu na invasão do Libano em 1982 quando milícias aliadas cometeram massacre de civis.
Mas os crimes de guerra cometidos em determinadas circunstâncias não fazem parte da forma de atuar de Israel. São casos isolados que, inclusivamente, mereceram reprovação dos próprios israelitas.
A resposta desproporcional, de acordo com alguns, não pode ser avaliada sem incluirmos o nivelo de insegurança que os israelitas sentem. E o próprio conceito de “respostas desproporcional” é vago e não permite objectivar qualquer ação sobre o ponto de vista moral.
Independentemente da forma como cada um aceita a resposta que Israel dá em termos de conflito, a verdade é que é uma resposta. Historicamente Israel nunca começou nenhuma guerra e procurou sempre a paz.
📖 Citações e referências
- Fineman H. Clinton: Arafat, it’s all your fault. Newsweek [Internet]. 2001 Jan 27 [citado 2025 Oct 1]. Disponível em: https://www.newsweek.com/clinton-arafat-its-all-your-fault-153779
- ABC News. Clinton chides Arafat for ‘colossal mistake’ in peace talks. ABC [Internet]. 2004 Jun 23 [citado 2025 Oct 1]. Disponível em: https://www.abc.net.au/news/2004-06-23/clinton-chides-arafat-for-colossal-mistake-in/1997372
- Times of Israel. Bill Clinton: Young Americans shocked to learn Arafat turned down Palestinian state. The Times of Israel [Internet]. 2024 Jan 18 [citado 2025 Oct 1]. Disponível em: https://www.timesofisrael.com/bill-clinton-young-americans-shocked-to-learn-arafat-turned-down-palestinian-state/
- Meir G. We do not rejoice in victories. We rejoice when a new kind of cotton is grown and when strawberries bloom in Israel. Jewish Virtual Library [Internet]. c2023 [citado 2025 Oct 1]. Disponível em: https://www.jewishvirtuallibrary.org/golda-meir-quotes-on-israel-and-judaism
- Meir G. We can forgive the Arabs for killing our children. We cannot forgive them for forcing us to kill their children. We will only have peace with the Arabs when they love their children more than they hate us. Jewish Virtual Library [Internet]. c2023 [citado 2025 Oct 1]. Disponível em: https://www.jewishvirtuallibrary.org/golda-meir-quotes-on-israel-and-judaism
- Netanyahu B. Israel seeks peace. Israel yearns for peace. Israel has made peace and will make peace again. Yet we face savage enemies who seek our annihilation, and we must defend ourselves against them. United Nations. Remarks by Prime Minister Benjamin Netanyahu to the UN General Assembly, 27 September 2024 [Internet]. 2024 Sep 27 [citado 2025 Oct 1]. Disponível em: https://www.un.org/unispal/document/israel-pm-remarks-un-ga-79-27sep24
- Netanyahu B. If the Arabs put down their weapons today, there would be no more violence. If the Jews put down their weapons today, there would be no more Israel. Goodreads [Internet]. c2023 [citado 2025 Oct 1]. Disponível em: https://www.goodreads.com/author/quotes/171941.Benjamin_Netanyahu

Boa tarde, Nuno
ResponderEliminarRespondendo concisamente à suas pergunta - é agressivo.
1º - Na Palestina desde há séculos, do fim do Reino de Judá, imposto pelo Império Romano, viviam Judeus, Muçulmanos (estes maioritários), Cristãos, Ateus, e crentes de outras religiões mais antigas e também Ateus até ao fim da primeira guerra mundial.
2º - Durante o final da Guerra 1914/18 as potências Europeias - França e Inglaterra - conseguiram o apoio Árabe com a promessa que naquelas terras sob o domínio Otomano se levantaria um Estado Árabe único - Líbano, Síria, Palestina, Iraque, Arábia.
3º Ganha a Guerra franceses e ingleses estiveram-se nas tintas para as suas promessas e dividiram aqueles territórios por áreas de influência. A Arábia tornou-se um reino e o restante foi dividido por uma área de influência francesa e outra de influência inglesa.
4º - Para o caso que nos interessa o que é hoje Israel, Palestina e Jordânia ficou sob protetorado inglês e estava dividida entre Palestina e Jordânia.
5º - Um documento emitido em 1917 pelo então ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Arthur Balfour, que expressou o apoio do governo britânico à criação de um lar nacional judaico na Palestina.
6º - A partir desta data milhões de libras saíram dos cofres dos bancos do barão Rothschild para que sionistas comprassem terrenos na Palestina.
7º- O mandato inglês terminou em 14 de maio de 1948. Antes do encerramento, em 29 de novembro de 1947, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a Resolução 181, que tratava do futuro governo da Palestina.
8º - Após a adoção de uma resolução pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 29 de novembro de 1947, recomendando a adesão e implementação do Plano de Partilha da Palestina para substituir o Mandato Britânico, em 14 de maio de 1948, David Ben-Gurion, o chefe-executivo da Organização Sionista Mundial[nota 7] e presidente da Agência Judaica para a Palestina, declarou o estabelecimento de um Estado Judeu em Eretz Israel, a ser conhecido como o Estado de Israel, uma entidade independente do controle britânico.
9º - A partição proposta pelo Comitê Especial das Nações Unidas para a Palestina (UNSCOP, pela sigla em inglês) concedia ao terço populacional judeu 56% do território, deixando aos dois terços árabes 44% da terra.
10º - O novo Estado judaico detinha a grande maioria das terra férteis e, das 1 200 aldeias palestinas, aproximadamente 400 estavam incluídas em seu interior.
11º - dois importantes acontecimentos geraram ondas de choque através da Palestina e de todo o mundo árabe: A morte de Abd al-Qader al-Husseini defendendo a aldeia árabe de Al-Qastal, e o massacre da aldeia de Deir Yassin, perpetrado pelo Irgun e pelo Stern Gang. Estes acontecimentos levaram os países árabes, reunidos na Liga Árabe, a considerar uma intervenção na Palestina com os seus exércitos regulares.
11º - Os sionistas chefiados por David Ben-Gurion apoderam-se das armas deixadas pelos britânicos e a 14 de Maio um dia antes do fim do mandato britânico, proclama o Estado de Israel.
12º - Seguindo o sionista David Ben-Gurion «Em agosto de 2025, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu disse em uma entrevista à i24NEWS que estava em uma "missão histórica e espiritual" e que está "muito" apegado à visão do Grande Israel, que inclui áreas palestinas e possivelmente também lugares que fazem parte da Jordânia, Egito, Síria e Líbano»
Zé Onofre
Bom dia
ResponderEliminarHá muito tempo que não trocamos ideias. Tenho andado desaparecido.
Não consigo concordar com a sua resposta por 2 motivos:
1 - eu coloquei perspectivas muito objetivas no meu artigo a sustentar a minha opinião. Você evitou-as a todas.
2 - a sua posição parte de uma escolha criteiosa na forma como apresenta parte da história levando a 3 erros: (A) apresentação muito vaga levando a leituras erradas, (B) algumas incorreções históricas e (C) falta de contextualização histórica para algumas dos momentos que referiu.
Acho que um bom ponto de inicio seria endereçarmos as perspectivas colocadas no artigo.
Outra abordagem também se pode focar na comparação direta entre os níveis de tolerância social existentes nas diversas sociedades locais: Israel, Egipto, Siria, Jordânia, Palestina, etc... e podemos ver qual o pais mais tolerante, mais inclusivo, mais pacifico, etc...
Boa tarde, Nuno
ResponderEliminarNo meu comentário centrei-me na História da Palestina desde o fim do Reino de Judá, o Reino de Israel já há muito que havia desaparecido.
Tudo o que eu citei é verdade histórica inegável.
Fixemo-nos somente desde o dia 14 de Maio de 1948.
Neste dia, um dia antes do determinado pela ONU na sua resolução 181, que previa a criação de dois Estados, o sionista David Ben-Gurion proclamava o Estado de Israel - o seu primeiro desrespeito para com a ONU.
No momento em David Ben-Gurion proclama o Estado de Israel começa a agressão Israelita. Aí nesse ato unilateral do Sionistas iniciou-se uma guerra que dura até hoje. O que se passou entre aquela data e hoje, não passam de batalhas e escaramuças de uma mesma Guerra.
Agora acrescento que todos os Estados, unidos na ONU, são cúmplices desta situação negra que se vive no Médio Oriente. Os Estados da ONU ao reconhecerem o Estado de Israel, sem haver condições para reconhecer os dois Estados previstos na resolução 181, tornaram-se cúmplices do Estado Ilegal de Israel.
Por esta convicção é que passei da sua pergunta à resposta.
Zé Onofre
Boa tarde, Zé Onofre,
ResponderEliminarAgradeço o seu comentário, mas permita-me algumas correções factuais:
– A independência de Israel foi proclamada a 14 de maio de 1948, exatamente no dia em que terminou o Mandato Britânico, não “um dia antes”.
– A Resolução 181 da ONU era uma recomendação de partilha, não uma ordem vinculativa. Os judeus aceitaram-na; os árabes rejeitaram-na. Foi precisamente essa rejeição que impediu a criação simultânea dos dois Estados.
– Dizer que a declaração de independência foi um ato de agressão é logicamente insustentável. Uma declaração política não é uma declaração de guerra. A guerra começou porque, no dia seguinte, cinco exércitos árabes invadiram Israel.
– Além disso, é incorreto afirmar que a guerra começou em 1948. Na realidade, os combates começaram logo após a aprovação da Resolução 181 da ONU, em novembro de 1947, quando milícias árabes locais atacaram comunidades judaicas e comboios, dando início a meses de violência intercomunitária antes da invasão formal dos exércitos árabes.
– Por fim, Israel não é um “Estado ilegal”. Foi reconhecido imediatamente por grandes potências (EUA e URSS) e admitido como membro da ONU em 1949, o que confirma a sua plena legitimidade no direito internacional.
O seu comentário expressa uma posição política, mas omite pontos fundamentais e não responde diretamente às duas questões centrais que levantei no artigo: quem iniciou as guerras e quem aceitou ou rejeitou propostas de paz. É nesses factos concretos que devemos centrar o debate.
Boa tarde, Nuno
ResponderEliminarO que tenho vindo a afirmar tem sido sustentado em bases documentais que, reconheço, podem ter alguns problemas de rigor.
Vou transcrever excertos de - Biblioteca de História Larousse, História do mundo contemporâneo, 1ª edição, Círculo de Leitores, Lisboa, 2016.
Pág. 140 -
1 -"Até 1880, A Palestina é perturbada apenas por revoltas esporádicas, como a dos drusos, ou pelos confrontos entre comunidades religiosas."
2 -"... em vésperas da Primeira Guerra Mundial. A população árabe-palestina, na sua maioria muçulmana, com uma forte minoria cristã e drusa, vê a pequena comunidade judia (24.000 pessoas em 1880) quadruplicar em três décadas: …"
Pág. 141
3 - "... a Inglaterra apoia, por intermédio do célebre Lawrence da Arábia, a revolta árabe contra os Turcos (aliados dos Impérios Centrais) e promete criar um reino desde o mar Vermelho até ao mar Mediterrâneo, englobando a Palestina, … "
4. - "... a declaração Balfour (secretário do Ministério dos Negócios Estrangeiros) de 1917 prevê a criação de um «lar nacional judeu» no solo palestino: os dirigentes sionistas apoiam-se neste texto para propor uma partilha da Palestina …"
Pág. 142
5. - "O recomeço da imigração dos primeiros suscita a inquietação e cólera dos segundos, ainda sete vezes mais numerosos. Europeus de origem, virados para si mesmos, os judeus ignoram deliberadamente os Árabes."
6. - "Os judeus passam assim de 174.000 em 1931 para 335.000, quatro anos depois. A sua inserção é facilitada pela Agência Judaica, criada em 1929 em Zurique e especializada na compra das terras palestinas."
Pág. 143
7. - "O afluxo de judeus vindos da Europa Central desestabiliza ainda mais, dia após dia, a situação na Palestina. Os judeus que adquiriram as suas terras com material sonante, frequentemente com a intermediação da Agência Judaica, que ajuda a instalação dos colonos, afirmam terem direito sobre essas terras desde sempre; os árabes censuram-nos por terem comprado os seus domínios ao ocupante turco, que não tinha o direito dos alienar."
8. "Um Estado comum, onde os árabes e judeus partilhassem as responsabilidades governamentais, deveria ter sido criado antes de 1949.".
9. "Querendo fundar um Estado hebraico, rejeitam as propostas inglesas, favorecem uma imigração maciça clandestina e alguns entregam-se, por intermédio de organizações como o Irgun, a terrorismo tanto contra os britânicos como contra os árabes."
Pág. 275
10. "A ONU decide-se pela partilha, e o Reino Unido anuncia a sua retirada para 15 de Maio de 1948. Os judeus antecipam a questão: algumas horas antes do fim do mandato, a 14 de Maio, em Tel Aviv, o Conselho Nacional Judaico proclama a criação do Estado de Israel,[…] A Liga Árabe condena esta decisão, e recorre à guerra para recuperar uma terra que considera sua."
11. "O primeiro conflito israelo-árabe começa no próprio dia da saída dos Ingleses, e dura até Janeiro de 1949, …"
Pág. 375
12. "Ameaçado desde a sua criação, o jovem Estado de Israel tem de defender a sua existência pelas armas. Em 1967, toma a iniciativa de atacar os seus adversários de surpresa, mas este gesto agressivo faz com que Israel perca a imagem de nação sob cerco."
Pág. 377
13. "Doravante, o Estado hebraico é visto como agressor, não apenas aos olhos do árabes, cujo sonho de unidade se rompeu, mas também aos olhos de parte da opinião pública internacional."
14. "Rejeitando os direitos dos palestinianos, Israel instala colonato judaicos nos territórios ocupados. A guerra não acabou."
Segundo esta fonte, concluo eu,
1. Antes de 15 de maio de 1948 não houve guerra palestino-israelita pela simples razão que não havia Estado de Israel. Eram conflitos entre duas comunidade residentes no mesmo território.
2.Que a declaração do Estado de Israel, e não independência, foi no dia anterior ao termino do mandato Britânico, logo ilegítima.
3. O ter sido reconhecida pelos EUA e pela URSS, não lhe retira a ilegitimidade.
4. O conflito iniciado em 14 de
Bom dia Zé Onofre
ResponderEliminarAs edições da Larousse são demasiado parciais e simplificadas e tendem a apresentar uma linha política critica ao sionismo em vez de isenção académica como seria de esperar. A Larousse é uma coleção de divulgação, não uma obra académica especializada. Há fontes bem melhores.
Alguns exemplos de citações que estão erradas:
1 - "Até 1880, A Palestina é perturbada apenas por revoltas esporádicas," numa palavra simplificada isto é "treta", ou se preferir uma linguagem mais académia "factualmente incorreto". Os ciclos de instabilidade social, no império Otomoano, eram frequentes.
2 - O 1º conflito israelo-árabe não começa em 1948 mas sim em 1947. Isto está bem documentado!
3 - "os judeus ignoram os árabes" - generalização muito tendenciosa. Muitas comunidades procuravam inclusão entre todos e os próprios judeus queriam ter negócios e trocas comerciais com parceiros locais. A primeira vitima dos ataques de 1947 era um judeu que comprava e negociava galinhas com os árabes, por exemplo.
4 - "Os árabes censuram-nos por terem comprado terras ao ocupante turco” - muito incorreto. Na realidade, muitas dessas terras foram compradas aos latifundiários árabes locais. As terras que os árabes vendiam eram muitas vezes pântanos infestados de doenças vendidos a preços hiperinflacionados. Os judeus europeus que tinham agricultores e médicos controlaram as doenças e transformaram os pântanos em zonas férteis e comercialmente ricas que inclusivamente ajudaram a chamar mais árabes e a aumentar a população dos mesmos.
5 - "Em 1967, toma a iniciativa de atacar os seus adversários de surpresa". Esta apresentação está claramente viciada por uma perspetiva política anti-sionista. Israel foi o primeiro a disparar mas não foi ele a começar a guerra. O que levou à intervenção de Israel foi: (A) fecho do estreito de Tiron pelo Egipto (que corresponde a uma declaração de guerra), (B) exército Egípcio foi colocado todo na fronteira para entrar em guerra com Israel e (C) Israel tinham informações dos serviços secretos consideradas 100% fiáveis que uma invasão estava iminente. Não podemos abordar o conflito de 1967 sem estes "pequenos" pormenores.
Enfim estes são alguns dos erros que facilmente se encontram nas citações que referiu.
Mais uma vez está a fugir dos pontos centrais do meu artigo. Em vez de se refugiar em publicações generalistas e citações historicamente erradas ou descontextualizadas porque é que não se foca nos pontos centrais do artigo que escrevi?
Estamos aqui a perder tempo a rever publicações generalistas sem isenção ou aprofundamento académico para tentar fugir às questões simples que eu coloquei no meu artigo. Se calhar encarar de frente estas questões vai obrigá-lo a repensar a sua narrativa pessoal do conflito?
Bom dia, Nuno
ResponderEliminarEu não fujo às questões.
Não creio que a Larousse seja tendenciosa, sempre a tive e tenho como um publicação criteriosa e fiável. Se vamos a considerar tendencioso tudo que vá contra o que pensamos, então não há publicação digna de crédito, porque, então, "os outros" torcem a história.
" "os judeus ignoram os árabes" aqui a citação como bem se apercebe foi truncada a meio do raciocínio, para o comentário ser aceite . Completo seria - "Europeus de origem, virados para si mesmos, os judeus ignoram deliberadamente os Árabes."
Depois responderei com mais vagar às questões que coloca.
Zé Onofre
Boa tarde, Nuno
ResponderEliminarMais algumas fontes.
Introdução à história do nosso Tempo. Rémond, René, 2ª edição, Gradiva, Lisboa, 2003
Pág. 296
1 – “A Turquia […] fica reduzida ao planalto anatoliano. […] ei-la na Ásia obrigada a ceder às reivindicações das nacionalidades da Ásia anterior.[…] erguem-se novos Estados: Iraque, Síria, Líbano, Palestina, Transjordânia.”
Pág. 426
2 – “O despertar foi precipitado pelo "primeiro conflito mundial, para o qual o mundo árabe foi arrastado […] por fazer parte do Império Otomano, que alinhou ao lado dos impérios centrais. […] a diplomacia britânica encoraja,[…] as ambições da dinastia hachemita, que controla as cidades santas. É o […] projecto de Lawrence, que procurava reconstituir um reino árabe," em benefício de Hussein e da sua casa.”
3 – “As dissensões levam a melhor sobre a aspiração unitária. Ao mesmo tempo que Hussein e os filhos, apoiados pela Grã-Bretanha talham reinos […] entre o Mediterrâneo e o Eufrates, Ibn Saud expulsa-os das cidades santas e une a península arábica sob o seu domínio.[…] A Palestina forma um mandato britânico.]
Pág. 426
4 – A imigração judaica para a Palestina, que cresce na sequência feita por Londres ao movimento Sionista, em 1916, de autorizar o estabelecimento de um domínio nacional para o povo judeu, concita a animosidade dos árabes contra as colónias sionistas e a potência mandatária "
4- “É sob a égide da Grã-Bretanha que se constitui a Liga Árabe, que agrupa todos os Estados da região.”
Pág. 429
5 – Desde a proclamação da existência de Israel, os exércitos: egípcio, sírio, jordano, iraquiano, convergem para liquidarem no ovo o Estado nascente, em vão. A partir de então, outras três guerras, ora por iniciativa dos Árabes, ora de Israel, […] 1956, 1067, 1973.]
Pág. 429/30
6 – “A partir da sua vitória fulminante em 1967, Israel ocupa a Cisjordânia, desde então a reivindicação de uma pátria afirma-se entre os habitantes dos territórios ocupados."
https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/guerra-dos-seis-dias.htm
1 – “Em maio de 1967, a Síria e a Jordânia apoiaram grupos guerrilheiros que fizeram parte da Organização para a Libertação da Palestina a movimentar suas tropas próximo à fronteira com Israel, aumentando a tensão no Oriente Médio. Sírios e jordanianos pressionaram o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser a também movimentar suas tropas próximo à fronteira israelense. Ele ordenou que as tropas da ONU, que estavam na Península do Sinai desde 1956, […] também ordenou o fechamento do Golfo de Aqaba. Percebendo que os árabes estavam movimentando suas tropas próximo às fronteiras, Israel resolveu agir, dando início, em 5 de junho de 1967, à Guerra dos Seis Dias.”
. wikipedia.org/wiki/Plano_da_ONU_para_a_partilha_da_Palestina_de_1947
1 – “O plano consistia na partição da banda ocidental do território em dois Estados – um judeu e outro árabe, ficando as áreas de Jerusalém e Belém sob controlo internacional.[6] 53% do território seriam atribuídos aos 700 mil judeus, e 47% aos 1 milhão e 400 mil árabes”
2 –“Em 1917, o governo britânico, através da Declaração Balfour (uma carta de Arthur Balfour, secretário britânico dos Assuntos Estrangeiros, ao Barão Rothschild, líder da comunidade judaica do Reino Unido), manifestou seu apoio ao plano sionista de colonizar a Palestina e lá estabelecer o "Lar Nacional Judeu".[10] Poucos anos depois, em 1922, a Liga das Nações aprovou o Mandato Britânico da Palestina. […]se responsabilizaria por colocar em prática a Declaração Balfour, isto é, favorecer o estabelecimento, na Palestina, de um lar nacional para povo judeu”
3 – “na sessão de 29 de Novembro de 1947 […] – quando 56 dos 57 países membros se encontravam representados, 33 deles votaram a favor do Plano, 13 votaram contra e 10 se abstiveram”
4 – “os Estados Árabes, não aceitaram o Plano, pois consideraram que a proposta contrariava