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Mensagens

A mostrar mensagens de fevereiro, 2022

O que está em causa na Ucrânia?

Existem várias razões pelas quais a guerra na Ucrânia não é um problema unicamente ucraniano. Nas próximas linhas vou elaborar alguns pontos que me parecem muito relevantes e que estarão em causa no atual conflito. Proliferação nuclear A Ucrânia trocou o seu arsenal nuclear por segurança. Em 1994 assinou a declaração trilateral com a Rússia e os EUA onde prescindia do seu poder nuclear em troca de apoio financeiro e segurança. Em 2022 a Ucrânia foi invadida pela Rússia e não recebeu apoio suficiente dos EUA para a sua própria defesa. Se a Ucrânia é destruída, todos os outros países vão preferir desenvolver bombas nucleares e aqueles que as tem não vão querer prescindir delas a troco de promessas de segurança de potências com um historial de não cumprimento. O futuro da Europa e da NATO? O sucesso na defesa da Ucrânia está dependente de uma ação concertada e assertiva do Ocidente. Se a Ucrânia for conquistada e Kiev ficar com um governo fantoche a mando de Moscovo como é que o ...

Porque é que a crise dos mísseis de cuba é diferente da crise ucraniana

Um dos argumentos muito usados, a favor da Rússia, é a crise dos mísseis de Cuba. Tal como os EUA, é normal que a Rússia não queira exércitos adversários, nas suas fronteiras. Se os EUA tiveram o direito de quase começar uma guerra com a URSS, na crise dos mísseis de cuba, porque é que a Rússia não tem direito de atacar a Ucrânia pela possível adesão à NATO? Este argumento tem sido defendido por intelectuais americanos como Mearshmeyer e, na Europa, por um vasto conjunto de movimentos de esquerda! Há 4 razões principais pelas quais, acho, que não se pode comparar as 2 situações. Situação geopolitica diferente Durante a crise dos mísseis de Cuba existia uma guerra fria e uma divisão ideológica que não existe hoje.   Os 2 pólos ideológicos eram marcados pela intolerância e competitividade. Havia mais perigo e guerra e menos vontade de dialogar. Uma das consequências da crise dos mísseis de Cuba foi criar-se um telefone vermelho que permitiria a Washington falar diretamente com Mos...

Será Putin o que a Europa precisa para se tornar Europa?

Em artigos anteriores abordei a questão da geografia e da história europeias para tentar compreender a razão pela qual nunca surgiu um império capaz de conquistar todo o continente. Gregos, Romanos, Franceses, Alemães todos tentaram. Mas independentemente da força e das vantagens estratégicas que cada um tinha, nenhum foi efetivamente capaz de o fazer. Potência estrangeiras também tentaram. Os Mongóis ficaram à porta e vários exércitos muçulmanos tentaram algumas vezes. Tanto na península ibérica como às portas de Viena, o falhanço foi o resultado final. Um ponto que parece comum na história europeia é a capacidade que os povos europeus tem de se unir para impedir alguém de os juntar! A atualidade e uma doença social auto-imune A atualidade europeia não é comum. Europeus pacíficos, amantes do ambiente e anti-imperialistas. 80 anos sem guerra marcam um período histórico sem precedentes na Europa. A consciência da sua história mais imediata, a segurança providenciada pelas parceria...

A culpa da NATO? 3 questões contextuais para se compreender a agressão russa e possível resposta europeia

  A possível invasão da Ucrânia pela Rússia parece estar iminente. De acordo com os Russos, a invasão nunca vai acontecer. De acordo com os USA a invasão está iminente. Vários países estão a dar indicações aos seus cidadãos para saírem do país antes que seja tarde demais. Estamos a viver dias que são marcados pela maior concentração de tropas pós segunda guerra mundial. E de acordo com Putin, tudo isto é culpa da NATO. A culpa da NATO Muito críticos referem que a NATO ainda vive com políticas do tempo da guerra fria e tem-se expandido para o leste europeu colocando em causa a segurança nacional russa. Nos últimos 30 anos alguns países do antigo pacto de varsóvia e da URSS, se juntaram à NATO e outros desejam juntar-se. Em 2008, a Aliança referiu estar na disposição de aceitar a Ucrânia e a Geórgia (que faziam parte da antiga URSS) como membros. Este é um dos episódios históricos que muitos críticos da NATO referem como justificação para o comportamento russo. Mas, o que leva ...